sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

E vai começar a temporada 2011 para os mineiros

O ano de 2011 começou quente para Atlético e Cruzeiro. As equipes tiveram tempo para se prepararem na pré-temporada e procuraram reforçar seus elencos. Verdade é que o lado alvinegro fez muito mais neste aspecto e a gestão de Alexandre Kalil não mediu esforços para contratar. O grande nome do Galo em 2011 tem tudo para ser o de Richarlyson, contratação mais comemorada pela torcida. Já o Cruzeiro, como de praxe, manteve sua base, e já na última hora apresentou alguns novos nomes, sem muito destaque. Talvez o maior trunfo dos Perrelas até o momento possa ter sido a prorrogação de contrato do meia Gilberto até o final do ano.

Agora, os rivais da capital iniciam sua caminhada no ano de 2011. Atlético e Cruzeiro disputarão Mineiro e Campeonato Brasileiro juntos, mas os alvinegros ficam na Copa do Brasil e Sulamericana, enquanto o lado azul de BH torcerá mais uma vez na Libertadores da América. Muito se fala que os torneios estaduais não são úteis para os grandes clubes, por demandarem gastos darem pouca visibilidade, retorno financeiro e de desempenho dos atletas. Mas a verdade é que por serem as primeiras competições disputadas no ano, os estaduais têm todo o charme e história que resgatam a rivalidade local, bem como servem para preparar as equipes para as competições mais desgastantes do decorrer do ano.Aqui, temos o Campeonato Mineiro, que entra na sua 97a edição, sendo certamente o berço da rivalidade entre Galo e Raposa. A competição começou a ser disputada no ano de 1915 e teve o Atlético como campeão, este inclusive é o maior vencedor, com 40 títulos. O Cruzeiro soma 35 canecos e conquistou seu primeiro título em 1943, um ano após ter trocado de nome. A equipe, antes chamada Palestra Itália, já havia sido campeã por cinco vezes anteriormente. Não se pode esquecer do até hoje recordista de títulos estaduais seguidos. O América foi deca-campeão, conquistando os títulos entre os anos de 1916 e 1925.

O Campeonato Mineiro pode ser dividido em duas eras, a pré-Mineirão e a pós-Mineirão. Até o ano de 1932, o torneio era disputado de forma amadora, ganhando aspectos profissionais no ano de 1933. Durante décadas o domínio do estado era dividido entre Atlético e América, mas este cenário mudaria a partir dos anos 60. A era após a construção do Mineirão, em 1965, marca o crescimento do clube mais jovem da capital, o Cruzeiro. A primeira academia do clube, com Tostão, Dirceu Lopes e cia, conquistou os cinco primeiros títulos decididos no Gigante da Pampulha e deu início à maior rivalidade de Minas Gerais. Nascia naquele estádio, um dos mais grandiosos clássicos do país.
Infelizmente neste ano, o Mineiro perde um pouco do seu brilho. Depois de 45 anos, não veremos uma final do estadual no Mineirão, já que Gigante fica adormecido até 2013 para as reformas da Copa do Mundo de 2014. Fica aqui ao menos a torcida de que possamos ver Atlético e Cruzeiro cara a cara em mais uma decisão neste ano de 2011. O palco da decisão é o que não se sabe.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

2010 cheio de lições para Atlético e Cruzeiro

Bom, estamos começando com esta postagem um novo blog para um ano que já está ficando velho. Sobre o nosso futebol mineiro não temos muito o que falar, a não ser fazer um balanço do desempenho de Cruzeiro e Atlético ao longo de 2010 e o desfecho da temporada. E é o que tentarei fazer aqui nessas linhas não tão nítidas quanto as quatro que delimitam o gramado.

Os grandes de Minas começaram o ano de 2010 com certa empolgação, alavancados pela temporada passada, onde o Atlético empolgou sua torcida durante grande parte do Brasileirão e o Cruzeiro tendo uma arrancada fantástica, culminando com a vaga para a Libertadores.

Os planos alvinegros eram ambiciosos. Primeiro com a vinda de Luxa, depois com o falado, discutido e lamentado projeto do treinador. Já as ambições azuis eram as mesmas, diga-se de passagem, há três temporadas. O Cruzeiro disputava novamente o torneio mais importante das Américas e com a sede de vingança pelo vice-campeonato em 2009.

No entanto, algo ficou no meio do caminho nessa passagem de ciclos. O Atlético tropeçou na própria sede de sucesso imediato e, na pior das hipóteses, faturou um título estadual num bom primeiro semestre. Mas, viu-se nitidamente a derrocada do alvinegro na segunda metade do ano. O time caminhava, a longos passos, não para o sucesso anunciado por Kalil e Luxemburgo, mas em direção a mais uma segunda divisão em sua história.

A cada derrota do Galo, um argumento novo era usado para amenizar a crítica situação entre comandante e comandados, a torcida começou a chiar muito tarde, afinal de contas o time tinha "o melhor treinador do Brasil" e o Campeonato Brasileiro chegando à sua reta final.

Diante da pressão da imprensa, que cansou-se de apoiar Luxemburgo, e da torcida que pedia por mudanças. Alexandre Kalil demitiu o manager e ainda contou com a sorte de ter disponível no mercado Dorival Júnior, este sim, um dos melhores treinadores da atualidade.

Na minha humilde opinião, aí foi onde o Atlético se safou de um destino quase que imutável, afinal de contas, a equipe teria de fazer um segundo turno digno de G4 para livrar-se do rebaixamento. E se não o fez, contou com a falta de bola daqueles que ficaram mais abaixo. Dorival Júnior fez o que Luxa não havia feito durante todo o ano. Botou a molecada em campo e, de quebra, revelou uma grande promessa no gol, Renan Ribeiro.

A volta de Obina também foi essencial ao time. O atacante deve ter salvado o Atlético em umas quatro ou cinco ocasiões decisivas, uma delas no clássico e indiretamente contribuindo para que o Cruzeiro não chegasse ao título.

Enfim. Para o Atlético o que restou foi um 13o lugar, 13 de galo, e um alerta para que não se cometam os mesmos erros deste ano. Para 2011, o time tem treinador, mas não tem um elenco e muito menos uma sólida base. O resta ao Galo são boas peças como Réver, Tardelli e Diego Souza, mas mesmo com a recuperação o time não tem cara de time.

É inegável o avanço com Dorival, mas a fragilidade do Atlético ainda é grande e muito precisa ser melhorado. A derrota na partida final do Campeonato Brasileiro por 4 a 0 para o São Paulo foi retrato da apatia da equipe com o final melancólico de temporada, mas ela é também o retrato de um time superestimado e que não fez tudo aquilo que poderia fazer. A torcida vai precisar de paciência e a diretoria de competência para acertar o alvinegro no ano que vem.

Já o Cruzeiro foi vítima do comodismo. O clube reagiu em 2009 após a perda da Libertadores e se classificou para o torneio deste ano na última rodada do Brasileirão, deixando, inclusive, o Galo fora da parada. No entanto, pouco foi feito no primeiro semestre de 2010 para que o time viesse mais forte. Pelo contrário, o Cruzeiro deste ano era um time mais fraco que no recente passado, por ter perdido importantes peças que caracterizavam a espinha dorsal do esquema de Adilson Batista.

A diretoria dos Perrelas seguiu contratando para a Libertadores na velha política da barganha, que muitas vezes dá errado. Traz atletas a preço de banana e paga caro lá na frente. Dessa vez o time pagou caro logo no primeiro semestre. Adilson Batista esqueceu-se do Mineiro, deu de presente ao Atlético, e o Cruzeiro despediu-se do Estadual, ainda nas semifinais, tomando uma bela sova do Ipatinga em pleno Mineirão. Entretanto, nada podia abalar a confiança da torcida celeste, que ainda acreditava no tri da Libertadores, mesmo tendo consciência do time fragilizado. A esperança ainda era depositada em Kléber, por exemplo, um dos que pouco correspondiam em campo.

O que se percebeu logo após a eliminação para o São Paulo nas quartas-de-final da Libertadores foi que o Cruzeiro pouco tinha de diferente. O jogo de Adilson Batista já estava manjado pelos adversários e o time só se dava bem em ocasiões onde contava com contragolpes, graças à velocidade pelos flancos. No entanto, os grandes já sabiam de cor e salteado o estilo celeste de jogar. Um time recheado de volantes e sem criatividade no meio de campo, facilmente era parado.

Após a eliminação na Libertadores e a parada para a Copa do Mundo, o Cruzeiro fez o que o Atlético não fez. Agiu. Neste grande período de preparação no mês de Julho, a diretoria deu fim ao trabalho de Adilson e apostou em Cuca, questionado por grande parte da imprensa e torcida, principalmente pelo fato de ser “azarado”.

Azarado ou não, Cuca fez seu papel muito bem feito. Pegou um time baqueado e desacreditado, que estava na parte inferior da tabela do Campeonato Brasileiro e, gradativamente, foi dando moral ao elenco. Os Perrelas contrataram jogadores neste período, algumas indicações de Cuca e apostas da diretoria. Muitas continuaram sendo apenas contratações e não mostraram brilhantismo algum como Farías e o terrível Robert, indicação de Cuca.

Mas o mérito do Cruzeiro se deveu a uma figura em especial, o argentino franzino Montillo, vindo da Universidad Chile, que fora eliminada nas semifinais da Libertadores. O meia diferenciado, comparável no Brasil apenas ao seu compatriota Conca do Fluminense, deu nova cara e dinamismo ao meio de campo do Cruzeiro. O time ganhou em criação e se tornou um verdadeiro perigo atacando pelo lado direito do campo, por onde Montillo aparecia com mais frequência, contando com a velocidade de Thiago Ribeiro.

A torcida carente, logo encontrou alguém para chamar de ídolo. Em poucas rodadas e partidas excepcionais, Montillo já havia caído nas graças da China Azul. Embalado, o time crescia de produção, subindo na tabela a cara rodada. A equipe desacreditada voltava a ganhar jogos importantes, a maioria de 1 a 0, mas não deixando de ser 3 pontos a mais. O resultado da reação refletiu-se na tabela. O Cruzeiro fez uma das melhores campanhas do segundo turno, chegando a liderar por duas rodadas o Brasileirão.

No entanto, algo ainda era notório. O Cruzeiro continuava sendo um time sem poder de decisão, muito pela falta de pontaria dos atacantes e por desatenção. Isto certamente fez com que a equipe ficasse mais uma vez no quase este ano. O Cruzeiro perdeu jogos decisivos e pontos preciosos. Ao meu ver, na pior das ocasiões contra o Atlético na derrota por 4 a 3. O Cruzeiro atacou mais, criou mais oportunidades, mas não matou o jogo. Enquanto o Galo foi fatal em quatro chances, não desperdiçando suas oportunidades. Ali, naquele jogo, o Cruzeiro mostrou sua principal falha, a falta de foco durante todos os 90 minutos. Um time com anseios de ser campeão não pode levar 3 gols em 30 minutos de partida, ainda mais num clássico.

Enfim, uma discussão mais aprofundada sobre estes aspectos ficaria para uma outra postagem, mas o que dá para salientar sobre o Cruzeiro foi a reação de um time abatido, que felizmente chegou ao honroso vice-campeonato brasileiro, deixando para trás o protegido Corinthians na última rodada. Se o título não veio, essa vingança deu um sabor todo especial ao segundo lugar conquistado pelo time.

Para 2011, o Cruzeiro precisa com urgência de atacantes. Não em número, mas em qualidade. Pelo menos dois que sejam diferenciados, porque se não o futebol mineiro pode ficar mais uma vez no quase, como em 2010. E o que queremos para nossos times é um bom rendimento, sem contratações mirabolantes, sem cartolas em foco, querendo aparecer mais que a instituição. A torcida quer ver futebol acima de tudo.

Que em 2011, Atlético e Cruzeiro aprendam com os erros de agora e conquistem destaque na imprensa pelo bom futebol. Se os times evoluírem com o que mostraram ao final deste ano as chances de sucesso são grandes, mais para o Cruzeiro, é verdade. Mas tempo é o que os grandes de Minas têm agora, e seria realmente maravilhoso ver Galo e Raposa rivalizando de igual para igual, fazendo inveja no eixo RJ e SP, no ano que vem.